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O plágio de Tony Blair

Segunda, 15 de Janeiro de 2007, 00h00
Autor: Rodrigo Moraes, advogado autoralista, especialista em Direito Civil pela Fundação Faculdade de Direito da Bahia, mestre em Direito Econômico e Privado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Escândalo vergonhoso. O premiê britânico Tony Blair plagiou trechos inteiros de uma tese acadêmica de autoria do então estudante americano Ibrahim al-Marashi, descendente de iraquianos. O alegado “dossiê de inteligência” sobre o Iraque, antes de ser desmascarado pela imprensa britânica, chegou a ser elogiado por Colin Powell, secretário de Estado dos EUA, que, em seu discurso ao Conselho de Segurança da ONU, exaltou-o como “magnífico relatório”. O forjado documento copiou até erros gramaticais da tese acadêmica de al-Marashi, publicada em 2002, mas que se baseava em dados ultrapassados da Guerra do Golfo, ocorrida em 1991, ou seja, há doze anos atrás. Onze das dezenove páginas do “dossiê” foram plagiadas (Jornal A TARDE, edição de 8 de fevereiro de 2003).

Vale advertir que a primeira lei específica sobre Direito Autoral que se tem conhecimento foi criada na própria Inglaterra, em 10 de abril de 1710, no período da Rainha Ana, visando proteger as obras literárias da ação de plagiadores. Promulgada pelo Parlamento Inglês, foi denominada de Copyright Act. Quase três séculos depois, exatamente em fevereiro de 2003, o primeiro-ministro britânico Tony Blair revela-se plagiário contra o regime do ditador Saddam Hussein, ou melhor, plagiário a favor do petróleo iraquiano.

A terminologia plagiário vem do latim plagiarius. Remonta do poeta Marcial, que, no século I, comparou metaforicamente seu poema, apropriado por outro autor, a uma criança que tivesse caído em mãos de um seqüestrador (em latim, plagiarius). O plagiário seria, portanto, uma espécie de seqüestrador de uma criação intelectual.

Desde a Antigüidade greco-latina já se tem conhecimento da existência de sanção moral aos plagiadores, que sofriam repúdio público, desonra e desqualificação nos meios intelectuais O seqüestrador intelectual Tony Blair (leia-se Blefe), principal aliado do megalomaníaco George Bush, precisa sofrer uma sanção moral. As inúmeras nações contrárias a essa absurda guerra do petróleo precisam formalizar uma sanção contra o abominável plágio ocorrido. Não é justo que um estudante do Ensino Médio flagrado “colando” sofra punição exemplar (anulação da prova) e o premiê britânico saia impune da vil tentativa de enganar a opinião pública mundial.

Não raro, o plagiário tenta ludibriar a opinião pública em busca de fama e dinheiro. Vive de fingimento e aparência. Parece ser criativo, mas é apenas assaltante intelectual da criatividade alheia. O plágio de Blair traduz o que há de mais doentio no ser humano: espalhar mentira para promover a violência.

Há quem sonhe com guerra, mas há quem sonhe com paz. Lendo o inspirado livro do teólogo Leonardo Boff, “A Oração de São Francisco – Uma mensagem de paz para o mundo atual”, Editora Sextante, descobri que esta oração nasceu anônima. O autor é desconhecido. A autoria foi posteriormente atribuída a São Francisco de Assis (1181-1226). A Oração pela Paz, na verdade, apareceu pela primeira vez em 1913, numa pequena revista local da Normandia, na França. Universalizou-se a partir de sua publicação no Vaticano, no dia 20 de janeiro de 1916. Passou a ser chamada de “Oração de São Francisco” por uma simples causalidade história: um franciscano mandou imprimir um cartão tendo de um lado a figura de São Francisco e do outro a Oração pela Paz. Boff explica que no final do cartão uma pequena frase dizia: “essa oração resume os ideais franciscanos e, ao mesmo tempo, representa, uma resposta às urgências de nosso tempo.” O cartão difundiu-se em fervorosas súplicas pelo fim da Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

O autor da ecumênica Oração pela Paz, rezada por fiéis de diversas religiões, é anônimo. O criador da bela melodia que ganhou esta oração, contudo, é um jesuíta paraguaio que atualmente mora na Cidade do Salvador, no Colégio Antônio Vieira. Foi Padre Irala, cantor, compositor e fundador do OPA (Oração Pela Arte), quem criou a parte musical, gravada pela primeira vez em 1968, popularizando definitivamente a oração em todo o Brasil. A canção de Irala traduz o que há de mais nobre no ser humano: espalhar verdade para promover a paz.

Entoemos a Oração de São Francisco suplicando pela paz na Bahia, no Brasil, no mundo: “Senhor , fazei-me instrumento de vossa paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor. Onde houver ofensa, que eu leve o perdão. Onde houver discórdia, que eu leve a união. Onde houver dúvida, que eu leve a fé. (...)”

(Artigo publicado no Jornal A TARDE, “Opinião”, edição de 12 de março de 2003, p. 6).

Rodrigo Moraes

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