Rodrigo Moraes - Advocacia e Consultoria em Propriedade Intelectual

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Entrevista

Publicada em 08/10/2008

Adelmo Casé

Artista indiscutivelmente talentoso, Adelmo Casé é advogado, multi-instrumentista, cantor, compositor e líder da banda Negra Cor, que já conquistou a Bahia e vem conquistando todo o Brasil. Nesta entrevista, fala sobre o início de sua carreira, suas principais influências, Direito Autoral, Internet, mercado fonográfico, Carnaval de Salvador, o primeiro CD da Negra Cor e projetos para 2008/2009. Segundo Adelmo, "é um absurdo a ausência da disciplina Direito Autoral nas faculdades". Confira!

Você é formado em Direito pela Universidade Católica do Salvador (UCSAL), que é tradicional aqui na Bahia. Inclusive, fez o exame da OAB e foi devidamente aprovado. Na sua época de universitário, qual matéria você mais gostava? O que pensa sobre a ausência da disciplina Direito Autoral na esmagadora maioria das faculdades de Direito do país?
Como todo calouro, comecei amando o Direito Penal, mas fui conhecendo mais matérias e posso dizer que o Direito Civil me fascinou mais fortemente na reta final do curso. O Direito Autoral ganhou muita força nesses últimos anos. Talvez a crise com as gravadoras tenha até estimulado tal crescimento, já que arrecadar com composições ficou mais difícil, forçando uma otimização na busca do pouco a que se tem direito. Paralelamente a isso, a arte virou realmente profissão, exigindo uma maior seriedade na busca e no reconhecimento da propriedade intelectual. Daí a importância de se formarem profisionais gabaritados nessa área. É um absurdo essa ausência da disciplina de Direito Autoral nas faculdades.

Você, antes de formar o grupo Negra Cor, tocou nas bandas Curare e Funk Muchine. Esta última chegou a lançar um CD (excelente, por sinal) e fez grande sucesso na Cidade do Salvador. Conte-nos, um pouco, sobre o início de sua carreira, desde os tempos do Colégio Dois de Julho até os dias atuais.
Comecei tocando em barzinhos com 14 anos de idade. Era percussionista e, durante os anos seguintes, aprendi violão e gaita, além do canto. Até começar a Funk Machine, em 1998, não via a música como profissão pra vida inteira. Era uma forma divertida de ganhar uma grana fazendo o que gostava e enquanto estudava. O colégio 2 de Julho foi outra grande escola, além do barzinho. Lá, fiz amigos ligados à música, comecei a compor etc. Durante a faculdade, a coisa foi ficando mais séria. Até que, em 98, formei a banda Funk Machine com ajuda de grandes músicos como Vanderson Carvalho. Depois que a banda ganhou um certo status local (e, a essa altura, já havia me formado em Direito), tive a certeza de que era aquilo que eu queria fazer o resto da vida. Em 2002 veio a oportunidade de participar do programa Fama, da Rede Globo, o qual me permitiu uma grande visibilidade em âmbito nacional. Em 2005, ainda morando no Rio de Janeiro, em uma das minhas visitas a Salvador, conheci o meu parceiro, Manno Góes, que se interessou em fazer um projeto novo comigo: nascia a Negra Cor. Hoje sou um artista realizado no que faço. Sinto um reconhecimento cada vez maior. A Negra Cor me proporcionou muitas experiências, me trouxe muitos parceiros em canções como Manno Góes, Carlinhos Brown, Saul Barbosa, Gerônimo e tantos outros.

Você é multi-instrumentista. Toca gaita, percussão, violão, guitarra, baixo... e ainda canta maravilhosamente bem. Aprendeu tudo isso sem nenhum professor? Sabe ler partitura?
Tudo que sei aprendi observando e experimentando. Escuto muito som, pesquiso, sou curioso. Só lamento não saber ler partitura ainda, mas, até o final de 2009, é questão de honra aprender.

Quais são suas maiores referências em matéria musical? Quem mais lhe influenciou? O que você anda escutando atualmente?
Eu tenho muitos ídolos. Posso citar alguns, mas sempre fica faltando um monte(risos). Stevie Wonder,Tom Jobim, Donny Hataway, Jill Scoth, Cassiano, Gilberto Gil, Djavan, Sara Vaughan, Milton Nascimento e por aí vai. Além de ídolos, existem artistas que admiro muito, que são exemplos pra mim, cada um no seu estilo. Escuto muita música. Atualmente, até por uma questão de necessidade do meu trabalho, tô pesquisando muita batidas eletrônicas e música negra americana, pois uso isso no dia-a-dia nos meus arranjos pra Negra Cor. Mas não fico sem minha MPB, sem a música instrumental, o soul, o Rap, enfim, o que considero música boa, independente do rótulo.

O Carnaval de Salvador é uma grande mistura de ritmos. O que você pensa sobre a maior festa popular do planeta? Em sua opinião, os blocos continuarão existindo com força ou a tendência é terminar a corda com a ajuda dos patrocinadores?
Os blocos estão perdendo força pros camarotes, devido a uma série de fatores, dentre eles o cotidiano violento das ruas. Mas a maior festa popular do mundo passa por constantes metamorfoses e,certamente, se adaptará às novas necessidades que surgirão com o tempo. O camarote e o bloco proporcionam emoções diferentes. Cabe a cada um escolher aquela com que tem mais afinidade. Os patrocinadores preferem os blocos a trios independentes. Seu público alvo está dentro das cordas. Sou defensor de que se criem mecanismos que estimulem a volta dos trios independentes, com qualidade, desfilando em horários bons, com boas atrações...Talvez uma parceria entre governo e iniciativa privada, leis de incentivo à cultura...O povo é a mola mestra dessa festa. Quem não tem dinheiro não pode ficar excluído.

Você, como criador intelectual, gostaria que os nomes dos compositores fossem anunciados pelas emissoras de rádio e tv do país? Quais os artistas que já gravaram músicas de sua autoria?
Eu sempre fui a favor da valorização do compositor nas rádios e tvs. Sempre faço questão de citar o nome dos autores em minhas aprecentações e entrevistas. Isso tem de virar um hábito, ou se criar uma lei pra assegurar tal prática. Já tive músicas minhas gravadas pela Banda Eva, As meninas, Pedro Mariano, Adriana e a rapaziada, Araketu, Jammil e uma noites, dentre outros.

O CD irá acabar? Em sua opinião, como será o comércio de música daqui a vinte anos?
O CD, enquanto produto comercializável, já acabou. Hoje é uma peça de divulgação de grande importância ainda. Com o advento do Mp3, a inclusão digital, o CD tem perdido muito espaço. A pirataria praticamente deu o golpe de misericórdia. Vejo lojas de CD fechando, a compra pela internet como único meio de aquisição de alguns albuns etc.

O que a internet tem de bom e de ruim?
A internet é uma ferramenta maravilhosa; boa pra quem quer divulgar um trabalho novo, mas uma grande aliada da pirataria e do desrespeito à lei autoral em vários níveis. Os autores de livros, pesquisas acadêmicas, dentre outros trabalhos também são vítimas, além dos compositores e artistas.

E o tão esperado primeiro CD da Negra Cor? Quando sai? Se você fosse dono de uma loja de discos, colocaria o CD da Negra Cor na seção Axé (Música Baiana), Funk, POP ou MPB?
O cd sai em novembro. Gostei muito do resultado final. Tem identidade, suingue, groove, novidade... Apesar de todas as influências e misturas, colocaria o cd na prateleira de AXÉ. É um trabalho de música baiana, de festa na sua essência.

Qual conselho você daria, hoje, para quem está começando a carreira musical?
É difícil aconselhar, pois cada um tem o seu caminho, mais fácil pra uns e mais duro pra outros. Porém, não podem faltar alguns itens como o profissionalismo, a dedicação, a paciência (MUITA), buscar PERSONALIDADE (espelhar-se em alguém é valido, mas nunca IMITAR), e fazer tudo isso com AMOR. A música escolhe a gente. É um dom. Como uma jóia bruta que tem de ser lapidada com o tempo e com as experiências que a vida nos traz.

Site da Negra Cor: www.negracor.com.br
Crédito da foto: Felipe Oliveira

Rodrigo Moraes

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