Rodrigo Moraes - Advocacia e Consultoria em Propriedade Intelectual

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Entrevista

Publicada em 30/04/2008

Tenison Del Rey

Tenison Del Rey é verdadeiro hitmaker. Competentíssimo artista, é autor de inúmeras canções de sucesso, tais como O Fim de Semana, Barracos, Cabelo Raspadinho, Estrelas, O Arrastão, Raimunda, Cidadão, Pra Falar de Amor.
Suas obras já foram gravadas por artistas como Daniela Mercury, Banda Eva, Vixe Mainha, Netinho, Elba Ramalho, Chiclete com Banana, Cláudia Leite, Araketu, É O Tchan, Harmonia do Samba, Olodum, Vânia Abreu e Cheiro de Amor.
Confira esta entrevista imperdível.

Tenison, quando você começou a compor e cantar profissionalmente? Qual foi a sua primeira canção de sucesso nacional?
Se não estou enganado, imagino que minha carreira de compositor profissional iniciou-se quando fui chamado para fazer a trilha sonora de uma peça teatral dirigida por Deolindo Checcucci, em 1984 (A Torre em Concurso), e o meu primeiro sucesso foi Barracos.

É possível viver somente da profissão de compositor? Por quê?
Sim, desde quando você consiga ser gravado e sua obra seja escolhida para ser a música de trabalho e esta canção vire um sucesso de execução pública.

O que significa ser autor neste país que trata, muitas vezes, com desdém o compositor popular?
É um caso típico de inversão de valores. Afinal, antes de tudo, vem a canção. Mas entendo também que esse comportamento é resultado da falta de posicionamento e postura dos autores.

Você, ao criar uma canção, já sentiu a sensação de que ela já existia?
Claro. Uma vez, vi uma entrevista de Paul Macartney dizendo que não existe mais melodia original no mundo. Não sei se chega a tanto. De um jeito ou de outro, sei que a gente vai sem querer remontando, refazendo o que o nosso universo nos envia, acreditando que aquilo tudo seja inédito.

Você gostaria de ouvir os nomes dos compositores nas emissoras de rádio e tv?
Sim. Isso soaria como uma verdadeira inclusão social do autor no mercado da música.

Por que a classe dos compositores, sobretudo aqui na Bahia, é tão desunida?
É difícil detectar um motivo específico. Ego, diferenças culturais...

Você fez o famoso teste "pagou, passou" da Ordem dos Músicos do Brasil (OMB)?
Não. Eu fiz o teste. Não sou um músico exemplar, mas, na época, na década de 80, eu estudei para fazer o teste. Foi algo teórico. Naquele momento, eu achei fácil...

O que você pensa do projeto Creative Commons?
Para mim, o Creative Commons é um produto da internet, e a internet veio para nos fazer rever conceitos que nunca imaginávamos que seriam revistos. Estamos ainda muito longe de um modelo ideal de relacionamento profissional com a rede. Existe uma vulnerabilidade imensa ainda, que derruba por terra os mais mirabolantes esquemas de segurança. O Creative Commons, para mim, é como se o mercado autoral entendesse que essa briga com a internet não vale a pena, como se fosse melhor oficializar o uso indevido da obra na rede. Acho ainda muito cedo para entregarmos os pontos. Sou um otimista de um futuro melhor.

Poeta do Forró, você vem fazendo sucesso cantando lindas canções pé-de-serra. Você acha que esse autêntico estilo musical deveria ter mais espaço no Estado da Bahia?
Claro. O índice de rejeição do forró na Bahia e sobretudo no Nordeste é baixíssimo, quase zero. Ele entra em qualquer festa, em qualquer programação de rádio; é elegante e popular, é sofisticado e simples. Desde a consolidação do carnaval baiano, que o mercado do axé music e seus protagonistas e coadjuvantes meio que não se esforçaram mais para alimentar outra possibilidade comercial de música popular. Essas pessoas, grupos, organizações se profissionalizaram bastante, mas acho que perderam a criatividade, o espírito do novo que tanto caracterizou a música baiana no seu começo. Acho que em tempo os espaços nesse mercado irão se abrir, ou melhor, já estão se abrindo.

Por que o axé music não vai morrer?
É uma manifestação musical que caracteriza um povo de um lugar chamado Bahia. Essa música tem a alma do baiano, seu jeito, sua sensualidade, sua inventividade, sua alegria. Para o axé morrer, o baiano tem que desaparecer do mapa e isso nunca irá acontecer.
 
 
PS. O site do cantor e compositor Tenison Del Dey é http://www.tenisondelrey.com.br



Rodrigo Moraes

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