Rodrigo Moraes - Advocacia e Consultoria em Propriedade Intelectual

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Entrevista

Publicada em 02/12/2013

Ramon Cruz

Ramon Cruz é músico (baterista), além de cantor e compositor de vários sucessos. Suas músicas já foram gravadas por diversos intérpretes de renome, como Daniela Mercury (Feijão de Corda, Geração Perdida, Salve-se quem puder), Ivete Sangalo (Quando a chuva passar, Dengo de Amor; Meu Maior Presente, Meu Segredo e Qui Belê), Claudia Leitte (Bola de Sabão e Doce Paixão), Paula Fernandes (Quando a chuva passar - tema da novela Escrito nas Estrelas), Banda Cheiro de Amor (Me Agarra) e Fafá de Belém (Mar de Estrelas). Nesta entrevista exclusiva, Ramon Cruz fala de sua carreira, de Direito Autoral e de seus novos projetos.

Quando Ramon Cruz se descobriu compositor? Como começou seu contato com o universo musical?  

Comecei a tomar aulas particulares de violão aos catorze anos e já nessa época me encantava com a sonoridade da bateria. Cursei o ensino fundamental e o ensino médio no CMS (Colégio Militar de Salvador) e foi lá que eu tive o primeiro contato com uma bateria de verdade. Como sempre fui bom aluno, ganhei de meus pais uma bateria de presente de aniversário. Alguns anos depois entrei numa banda de rock chamada Planeta Cidade onde compus minhas primeiras canções. Com essa banda conquistamos o Troféu Caymmi de banda revelação. 

 

Quem são, atualmente, suas maiores referências musicais? O que Ramon Cruz está ouvindo no seu carro e no seu aparelho de mp3?

Sempre fui eclético no que diz respeito a estilos musicais. Atualmente continuo escutando um pouco de tudo. Tenho dois filhos adolescentes, um de 19 e outro de 16. Constantemente estamos trocando informações relativas ao cenário musical: eles me atualizam com novas bandas e canções, e eu apresento pra eles minhas referências do passado. Impressionante como temos um gosto musical muito parecido.

 

Você acredita que o papel do compositor é devidamente valorizado pela sociedade brasileira? Acha que as emissoras de rádio deveriam divulgar os nomes dos compositores?

Essa valorização tem melhorado sensivelmente de uns tempos pra cá. Não sou um ouvinte assíduo de rádio, mas no ano de 2013, por exemplo, tive duas músicas de minha autoria sendo executadas nas rádios (Vejo o Sol e a Lua, com Ivete Sangalo, e Viver em Paz, com Filhos de Jorge). Tive o prazer de escutar meu nome sendo citado várias vezes pelos locutores. Pra efeito de comparação, em 2006, quando também tive duas músicas de minha autoria executadas em rádio (Bola de Sabão, Babado Novo com Cláudia Leitte, e Quando a Chuva Passar, com Ivete Sangalo), não escutei citarem meu nome uma vez sequer. A música Quando a chuva passar, em especial, foi eleita naquele mesmo ano a melhor música do ano pelo Troféu Imprensa no programa Sílvio Santos e ganhou também o Troféu de melhor música do Ano no programa Domingão do Faustão. Nenhum dos dois apresentadores informou quem era o compositor da música. Um absurdo! Portanto, fico feliz e comemoro bastante esse reconhecimento atual. Torço pra que essa postura melhore ainda mais.

 

Cerca de metade das emissoras de rádio, no País, é inadimplente em relação a direitos autorais. Você não acredita que o Poder Público poderia criar uma espécie de Certidão Negativa de Débitos Autorais para as renovações das concessões públicas?

Acho que exerceria um papel fundamental no controle relativo à inadimplência. Ajudaria bastante. Seria uma ótima oportunidade do governo, através desse instrumento controlador, demonstrar a sua gratidão e o seu respeito por essa classe que tanto contribui para suas campanhas eleitorais.

 

O Alavontê, projeto musical formado por você, Durval Lélys, Manno Góes, Ricardo Chaves, Magary Lord e Jonga Cunha, traz uma cena nova e descontraída para a música baiana. Como você descreve esse projeto que, mesmo sem maiores pretensões, vem agitando o cenário cultural na Soterópolis?

O Alavontê é a prova de que a música baiana está bem viva e que o povo baiano, e brasileiro de um modo geral, continua curtindo e prestigiando nosso jeito autêntico de fazer e respirar música bem à vontade. É um movimento que primeiramente alimenta nossa alma com felicidade e prazer, pois temos total liberdade para criar e nos expressar livremente, sem amarras mercadológicas. Isso não tem preço. Existe também um clima interno de muito respeito e admiração mútuos, pois somos fãs uns dos outros. A satisfação que isso nos proporciona é algo indescritível. O nome Alavontê traduz exatamente como nos sentimos: bem à vontade para compor, criar, cantar e fazer música com a alma. Vida longa ao Alavontê!

 

Muitos baianos acreditam que o Carnaval de Salvador precisa passar por um processo de renovação, que vive uma mesmice, uma repetição monótona. Em sua opinião, o que poderia mudar nessa incrível festa popular? O Poder Público poderia auxiliar de alguma forma?

O Poder Público não só pode auxiliar como deve intervir sempre que necessário, da melhor forma possível, pra que essa festa popular tão tradicional da nossa cultura não seja totalmente descaracterizada. Sinceramente, não saberia lhe dizer na prática o que fazer, pois a cada ano surgem novas bandas, novos empresários, novos patrocinadores, mais turistas e praticamente o mundo inteiro já está pintando por aqui. O que fica claríssimo pra mim é que o espaço está ficando pequeno pra atender a toda essa demanda. Medidas urgentes precisam ser tomadas. 

 

A Emenda Constitucional nº 75, de 2013, concede imunidade tributária a CDs e DVDs com obras musicais de autores brasileiros. Você acha que, na prática, essa imunidade irá reduzir a pirataria? Ou acredita que concorrer com o pirata continuará sendo uma concorrência desleal?

O cenário musical que vivemos hoje em dia é cada vez mais dinâmico. Não só na música mas na sociedade como um todo. Hoje temos a internet, que a cada dia que passa fica mais veloz e mais acessível. A música digital vem no embalo tornando essa seara virtual ainda muito carente de ajustes e regulamentações que acompanhem a velocidade dessa evolução. Os downloads livres estão totalmente fora de controle. A pirataria, daqui a alguns dias, vai ser fichinha perante o quadro que está sendo pintado. Acho válida qualquer movimentação em prol dos direitos dos autores brasileiros, mas precisamos com urgência de algo mais contundente. Torço por dias melhores.

 

Site de Ramon Cruz: www.ramoncruz.com.br

Crédito da foto: Osmar Gama


Rodrigo Moraes

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