Rodrigo Moraes - Advocacia e Consultoria em Propriedade Intelectual

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Entrevista

Publicada em 11/02/2011

Jorge Zárath

Jorge Zárath é um dos maiores compositores do Estado da Bahia. Ex-aluno do Colégio Maristas, Zárath é autor de grandes hits, gravados por inúmeros artistas, como Chiclete com Banana, Daniela Mercury, Netinho, Jammil, Banda Mel, É o Tchan... Nascido em Montevidéu, veio, na adolescência, morar no Brasil. Nesta entrevista, concedida em seu apartamento na Pituba, Zárath analisa temas como mercado musical baiano, pirataria, ECAD, indústria fonográfica, inspiração... Vale muitíssimo a pena conferir.

Você nasceu no Uruguai. Quando veio para o Brasil?
Sim, nasci em Montevidéu. Uruguai é um país que há trinta anos tem três milhões e meio de habitantes. Muita gente foi embora de lá. Eu vim para o Brasil com minha família, quando tinha onze anos de idade. Meus pais vieram não por necessidade, mas para tentar salvar o casamento. Meu pai trabalhava (e ainda trabalha) na indústria química. Ele veio, inicialmente, para São Paulo, já com trabalho e tudo. Depois, fomos para o Rio e para Maceió. Em Maceió, meu pai separou de minha mãe e conheceu uma pessoa, com a qual é casado até hoje. Mora, atualmente, em Curitiba. Lá, tenho dois irmãos, um de dezoito e outro de vinte e um anos. De Maceió, meu pai veio para Salvador e, depois, foi morar em Curitiba. Eu fiquei em Salvador, porque já tocava na noite, em barzinho, voz e violão, MPB...

Mas você não tem mais sotaque uruguaio.
Não tenho mais nenhum. Eu vim novo para o Brasil e tenho ouvido musical. Eu gosto de imitar sotaques. Tenho orelha para isso.

E quando começou a cantar música de Carnaval?
Quando Luiz Caldas saiu do (bloco) Beijo, me chamaram para cantar. Cantei dois anos no Beijo. Depois, fui para o Crocodilo. Eu estudava nos Maristas e os donos do Crocodilo eram meus amigos de lá. Cantei três anos no Crocodilo. Cantava bem, mas não era um grande animador de festa. Eu era um cantor de influência latina, Caetano, MPB... Então, nesse ínterim, conheci um cara chamado Dito, da dupla Tom e Dito, que nos anos setenta fazia muito sucesso. Dito sabia tudo sobre música popular. Com ele aprendi a fazer música que funcionava. Como eu já tinha saído do foco dos blocos mais notórios – que, na época, nem eram tão notórios, porque o momento da música era outro –, eu comecei a compor músicas que fizeram sucesso nacional. Comecei a ganhar dinheiro grande com composição. Eu já fui o sétimo arrecadador do Brasil, durante uns dois anos e meio. E aí gostei disso.

Qual foi sua primeira composição de sucesso?
Foi com Netinho. “Meu amor, me dá um beijo de mel, deixa eu entrar no seu céu...”. O primeiro CD baiano que vendeu mais de um milhão de cópias foi o Netinho ao vivo. Nesse CD, eu tinha cinco músicas. Por exemplo: “A vida não é brincadeira”, “Capricho dos Deuses”, “Rainha do Baile” e “Total”. Na Banda Mel, fiz grandes sucessos: “Jura, jura, que me dá o seu amor...”. “Tum Tum Tum, bateu, Tum Tum Tum, bateu...”. Aí veio o grupo É o Tchan. Fiz “A nova loira do Tchan”, “A dança da cordinha”, “O Tchan na selva”... Para o Chiclete com Banana, fiz “Suinga Índia”, “Soteropolitano” (“Eu sou soteropolitano, eu sou baiano, eu sou de Salvador...”), “Tá procurando sarna”, “Fazer o que cidadão?”, “Se você é chicleteiro, Deus te abençoa...”, “Selvagem camaleoa” (“Demorou, mas chegou a hora...”). Para Daniela (Mercury), fiz o “Groove da Baiana”.

Como começou a Salsalitro?
O músico Bastola, que sempre foi muito meu amigo, falou: “Pô, Jorge, você é uruguaio. Por que a gente não faz uma banda de salsa?” Aí nós inventamos a Salsalitro, que já tem quatorze anos. O público existe e é fiel. Não morre e ninguém mata. Salsalitro é a minha verdade.

E os parceiros novos?
Tenho, agora, parceiros novos. Manno (Góes), por exemplo. Em três horas, fizemos cinco músicas. E não teve nenhuma garrafa de vinho para dizer que foi doideira. É porque rolou afinidade.

Qual a sua visão sobre a pirataria?
Eu acho que foi um erro de cálculo que, depois, não teve mais volta. Juntou gente da tecnologia com gente do mercado e gente da arte. Aí a tecnologia venceu. O mercado abriu o olhão e a arte ficou boba olhando para cima. Os artistas ficaram achando massa tanta gente ouvindo sua música. Mas quando foi para a conta ver, o dinheiro diminuiu bastante... Por trás da pirataria está o crime. Foi uma coisa péssima em todos os aspectos.

Tem banda que vem distribuindo, gratuitamente, nos shows, milhares de CDs. E os compositores não recebem nada por isso.
Tem bandas que não ligam para os compositores. O compositor não nota, mas está sendo lesado com essa distribuição gratuita. Muito lesado.

Muita gente baixa música gratuitamente em sites. É irreversível?
Não. É preciso pagar alguma coisa. A criação é tudo. Não pode ser desprezada. Meio centavo multiplicado por milhões pode acabar significando alguma coisa.

Você faz música mesmo sem estar inspirado?
Quanto mais você lê, mais ouve e presta atenção em sua volta, tem mais “verborragia” para usar no que está dizendo. É preciso se permitir criar. Tem músico que tem medo de ser compositor, fica com medo de mostrar para os outros. É preciso viajar no que você está fazendo.

Quais os seus sonhos na área musical?
Eu quero é desenvolver o prazer de fazer música para ouvir na boca das pessoas. A gente gosta de tudo que a música pode proporcionar através do dinheiro, mas quando eu e meus parceiros sentamos para fazer música, aqui na varanda, vale a curtição, a briga com as palavras. Basicamente, eu quero conseguir, cada vez mais, que os artistas entendam o que a gente está fazendo, e que eles consigam transmitir isso para o público. Eu também quero ter vida boa, ser um dos compositores mais executados do país.

Metade das cinco mil emissoras de rádio do país não paga ao ECAD. O que você acha dessa inadimplência?
Eu acho deprimente, uma palhaçada. A fonte de tudo é o trabalho do compositor. O que fez o coordenador de rádio chegar naquela posição? Sua qualidade, a maneira como ele se comunica, a sua competência. O que faz um compositor chegar à notoriedade? A sua competência para compor músicas de sucesso. Então, você gostaria de ser tolhido de ter o direito de ganhar o que merece pelo seu talento? É preciso dar valor a quem tem valor.

E os ensaios da Salsalitro neste verão?
Estamos tocando aos sábados no Armazém Villas. Apareçam!
 

Crédito da foto: Juarez Carvalho


Rodrigo Moraes

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