Rodrigo Moraes - Advocacia e Consultoria em Propriedade Intelectual

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Entrevista

Publicada em 11/06/2010

Waltinho Queiroz

Cantor, renomado compositor de música popular e um dos maiores jinglistas do Brasil, Waltinho Queiroz já foi gravado por artistas como Djavan, Fafá de Belém, Beth Carvalho, João Donato, Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Chiclete com Banana, Gerônimo, Margareth Menezes, Luiz Caldas e Maria Creuza. Nesta entrevista, o irrequieto e talentoso artista analisa diversos temas ligados à Cultura e ao Direito Autoral. Imperdível.

Você é um jinglista consagrado, autor, por exemplo, do jingle do então candidato a prefeito Mário Kertész, “Deixe o coração mandar”. Em sua opinião, qual a força de um jingle para um político? Quais foram seus principais jingles? Você é citado no livro Casos & Coisas, do publicitário baiano Duda Mendonça, que lhe faz um elogio. Como anda o processo de criação de jingles?
Jingle é obra de encomenda para promover pessoas ou produtos no mercado das ambições e como tal é um fazer delicado quanto aos limites éticos. Procuro elevar sempre o nível poético dos meus trabalhos como uma forma de defesa contra a cretinice e a banalidade. Acho que eu nem sempre consigo, mas tento. Os elogios são bem-vindos, mas não me iludo: é preciso estar antenado com as mutações estéticas para não dançar como criador.

Você é bacharel em Direito pela querida Faculdade de Direito da UFBA, tendo sido o orador da Turma de 1967, que lançou inúmeros juristas, como o desembargador Carlos Dultra Cintra, ex-presidente do TJ/BA. Como foi sua experiência no ramo jurídico? Em que momento de sua vida a vocação da música soou mais alto?
Eu tenho muito orgulho de ser o orador de uma das turmas mais brilhantes que perpassaram os umbrais da Faculdade de Direito da UFBA, sobretudo num tempo conturbado, em que quase paguei muito caro pelo teor do meu discurso. Advoguei durante uns três anos no escritório do Dr. Amâncio José de Sousa Neto, que reputo o maior advogado da Bahia, até que o chamado da música e da poesia foi mais forte.

O novo livro do escritor João Ubaldo Ribeiro, intitulado Albatroz Azul, que é, a meu ver, obra-prima a ser estudada pelas novas gerações, tem uma dedicatória a você (“A Waltinho”). Conte-nos um pouco sobre sua amizade com esse imortal autor baiano.
Eu e Ubaldo somos, como ele gosta de chamar, "amigos históricos" e concordo que o Albatroz é uma obra-prima. Pra mim, meu compadre (Bento, o primogênito, me escolheu para padrinho) é o maior escritor vivo do país e creio firmemente que ele vai nos dar o primeiro Nobel brasileiro.

As emissoras de rádio não anunciam os nomes dos compositores. Você, como compositor, o que pensa sobre essa omissão? A música de abertura da telenovela global Cambalacho (de Sílvio de Abreu), por exemplo, é de sua autoria, e muitos nem sabem...
Uma das classes mais desunidas e egóicas, os compositores unidos e destemidos poderiam dar um basta nessa situação. Uma sublevação pública como nomes do porte de Chico, Roberto, Caetano chamando a atenção da nação para esse absurdo, além de medidas jurídicas corretas obrigando o cumprimento das leis já existentes, mudariam a atitude das rádios.

Você é autor do Hino do Esporte Clube Vitória (“Eu sou um nome na história, eu sou Vitória, de coração...”). Mas, na verdade, você é torcedor do Esporte Clube Bahia, grande rival do Vitória, que é finalista desta Copa Brasil. Você recebe direitos autorais pela execução pública do Hino do Vitória? Sente-se um traidor da torcida tricolor ou o lado profissional falou mais alto?
Fico surpreso com a palavra traição nesta pergunta (risos). O grande Lamartine Babo, que torcia apaixonadamente pelo América, fez os hinos dos principais clubes cariocas (Flamento, Fluminense, Vasco e Botafogo) e ninguém "chiou" por isso. Mais que pelo Bahia ou pelo Vitória eu torço pelo revigoramento do futebol baiano porque sou, antes de tudo, um esportista e não ganhei, até agora, um tostão pelo hino.Vale lembrar que também sou autor dos hinos do E. C. Ypiranga e do Brasiliense Futebol clube. Creio que ser Bahia e fazer o hino do Vitória é uma contribuição para estreitar a cordialidade destes dois gigantes do futebol nordestino e brasileiro.

O Direito Autoral, infelizmente, está ausente na maioria das mais de mil faculdades de Direito do País. Como você enxerga essa grave situação?
Um absurdo.

A Cidade do Salvador não possui uma Secretaria de Cultura, o que, a meu ver, é um absurdo. Você acha que a Fundação Gregório de Mattos, que atualmente passa por uma grave crise, é suficiente para lidar com a indiscutível vocação do soteropolitano para a Cultura?
Claro que não. Gestão cultural é paixão aliada à criatividade. É missão para artistas-estadistas.

Você é um carnavalesco apaixonado, fundador do lendário Bloco do Jacu. O atual modelo do Carnaval de Salvador é bastante criticado por você. Explique ao leitor as razões de tais críticas.
O atual modelo nosso de carnaval é a vitória da mediocridade e da ambição com suas cordas ilegais (cordeiro não tem poder de polícia), seus camarotes esnobes e provincianos, infelizmente coonestados pela presença de artistas ilustres, da discriminação por cor, idade e aparência física, um poder público conivente com esbulho da lei do silêncio, das normas do Detran ou Transalvador que proíbem anúncios nas laterais das vias públicas roubando a atenção dos motoristas, canções que incitam o machismo quando não a pedofilia. Tudo isso para manter a vigência do modelo pão e circo tão a gosto do poder e das elites.

O Ministério da Cultura está prestes a anunciar o anteprojeto de reforma da Lei de Direito Autoral. Em sua opinião, deveria haver alguma mudança? Por quais razões?
Acho as sociedades autorais acomodadas e incapazes de avanços que mudem o mar de lamentações em que vive mergulhado o nosso direito autoral. Os autores precisam de mais autonomia para administração dos seus bens autorais, podendo fiscalizar diretamente a execução de suas obras, fazendo prova e exigindo do ECAD os respectivos pagamentos.

Quais os seus novos projetos e sonhos?
Um "Songbook" compilando todo o meu trabalho na voz de grandes intérpretes. Um "Oasis acústico" durante o carnaval no Rio Vermelho. Um romance contando a história da minha geração.
 
 
Crédito da foto: Kabá Gaudenzi
PS. No dia 18 de junho de 2010 (sexta-feira), às 22h, no Tom do Sabor (Rio Vermelho), o cantor e compositor Waltinho Queiroz estará apresentando o seu show "Olha o fogo, olha o fogaréu", com grandes clássicos do forró. Vale frisar que ele é o autor dessa linda canção: "Olha o fogo, olha o fogaréu, queimando as pontas da palha do meu chapéu..."
Reserva para mesa no Tom do Sabor: (71) 3334-5677


Rodrigo Moraes

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